Os 190 anos da chegada dos alemães ao Paraná são celebrados com dança e música

A chegada dos primeiros imigrantes germânicos a terras paranaenses, no dia 19 de fevereiro de 1929, foi marcada por uma sessão solene com música e dança no Plenário da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), na noite desta quarta-feira (2). O evento “190 Anos da Imigração Alemã no Paraná”, proposto pelo deputado Elio Rusch (DEM), contou com a presença de descendentes dos que se estabeleceram inicialmente no município de Rio Negro, no Sul, e posteriormente ocuparam todas as regiões do estado.

De acordo com o presidente da Assembleia, deputado Ademar Traiano (PSDB), a comunidade alemã é uma das mais importantes no desenvolvimento sociocultural e econômico do Paraná, o que justifica a homenagem prestada pelo Poder Legislativo paranaense. “Os germânicos sempre estiveram presentes em atividades que enaltecem nosso estado, tanto no agronegócio quanto em outras que enaltecem o Paraná. É de muito valor prestar esta homenagem aos 190 anos da colonização alemã”, declarou.

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“O Paraná acolheu os primeiros imigrantes onde hoje é o município de Rio Negro e eles, desde então, têm contribuído muito para o desenvolvimento de nosso estado”, explicou Elio Rusch. Para o parlamentar, o acolhimento cortês oferecido pelos paranaenses promoveu a integração que existe até os dias de hoje. “O Legislativo não poderia ficar de fora deste momento. No Brasil, são 195 anos da presença alemã e 190 anos dos imigrantes no Paraná”, afirmou.

Com o ambiente todo decorado com as cores da bandeira alemã e dos brasões das regiões do país europeu, as danças promovidas pelo grupo folclórico tradicional Original Einigkeit Tanzgruppe, e as apresentações musicais do Coral Harmonia e do Quarteto de Saxofone da Banda da Policia Militar do Paraná, o cônsul honorário da Alemanha e presidente da Câmara de Comércio Brasil Alemanha, Andreas Hoffrichter, cumprimentou os presentes em nome do embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Witschel.

Ele relatou as circunstâncias que motivaram a vinda de germânicos ao Brasil, como o êxodo rural, devido ao processo de industrialização que dificultou a atividade agropecuária no país europeu, principalmente a de pequena extensão. “O Paraná é um mercado com enorme potencial econômico que continua a atrair o interesse das empresas e investidores alemães. O Consulado Alemão e a Câmara de Comércio trabalham para a consolidação de futuros negócios e investimentos no estado”, explicou o cônsul, citando ainda as escolas alemãs presentes em cidades paranaenses, que difundem a língua e a cultura alemã, como o Goethe-Institut Curitiba.

As intenções de preservar as boas relações do Paraná com a Alemanha foram demonstradas no pronunciamento do vice-governador do Estado, Darci Piana. Ele agradeceu, em nome de todos os paranaenses, pelo esforço empregado pelos imigrantes alemães que se estabeleceram a princípio em Rio Negro, mas se espalharam em cooperativas por cidades com grandes populações de descendentes, como Curitiba, Rolândia, Marechal Cândido Rondon, Guarapuava e Palmeira. “Em nome de nosso governador Carlos Massa Ratinho Junior, por tudo que fizeram por nosso país e, principalmente, por nosso estado”, enfatizou.

Participaram da homenagem ainda: o ex-governador Orlando Pessuti; Reinhold Stephanes, secretário estadual da Administração e Previdência; deputado Francisco Bührer (PSD); deputado Delegado Recalcatti (PSD); deputado Luiz Fernando Guerra (PSL); Márcio Rauber, prefeito de Marechal Cândido Rondon; e Emilio Antônio Trautwein, secretário municipal de Esporte, Lazer e Juventude, representando o prefeito Rafael Greca.

Folclore – Para recepcionar os convidados da sessão solene, uma apresentação na entrada no prédio do Plenário foi promovida pelo Grupo Folclórico Germânico Trier, de Rio Negro. A presidente da Associação Brasileira Alemã Trier, Irmeli Nardes, as práticas culturais germânicas são mantidas na região por gerações pelo fortalecimento das tradições europeias no Brasil. “Procuramos garantir a sequência da cultura daqueles que estiveram na primeira leva de imigrantes ao Paraná, a segunda leva do país, depois de Porto Alegre”, explicou.

Para o prefeito de Rio Negro, Milton Paizani, a imigração alemã ao munícipio foi fundamental para a construção de seu povo. “Foi muito importante para o desenvolvimento dos aspectos culturais europeus na região. Rio Negro teve a influência de outras etnias, mas a alemã, por ter sido a primeira do estado, tem um caráter especial que se desenvolve em eventos culturais e festivos que tem grande prestígio”, afirmou. “Devemos muito aos alemães em todos os aspectos de nosso desenvolvimento, com o cooperativismo, empreendedorismo e indústria”, frisou.

História – Os primeiros imigrantes germânicos chegaram ao Paraná em 19 de fevereiro de 1829 e foi estabelecida às margens do Rio Iguaçu, na atual cidade de Rio Negro, oriundos da região do Trier. Sua vinda se deve ao empenho e ao esforço do Barão de Antonina que quis reproduzir no estado o modelo e plano adotados no Rio Grande do Sul para assentamento de alemães. Nas décadas seguintes milhares de famílias de fala alemã chegaram ao estado, procedentes de vários pontos da Europa, bem como outros, já como descendentes das primeiras levas, migrantes de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.

Em Curitiba, os primeiros alemães se firmaram a partir de 1933. Na Lapa, chegaram os alemães do Volga, região russa. Na Colônia Witmarsum, em Palmeira, estabeleceram-se os menonitas. No norte do Paraná, em Rolândia, se encontram também núcleos da colonização alemã. Para o centro-sul do Paraná, na Colônia Entre Rios, vieram os Suábios do Danúbio, provenientes da fronteira da extinta Iugoslávia com a Turquia.

Com escassez de terras disponíveis nas “colônias velhas” do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, milhares de famílias de descendentes dos alemães migraram para o Oeste do Paraná. São os filhos de terceira, quarta e quinta gerações dos alemães que aportaram nas décadas de 1820 a 1880, procedentes dos territórios alemães. Ali também estão, em grande número, descendentes dos alemães de Volynia, hoje no território da Ucrânia.

ALEP