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Agricultura

Começa a safra de morango. Paraná é o quinto produtor do fruto

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Amanhece na plantação como uma tela de arte em movimento. Com os dedos, chega-se à descoberta. Em vermelho, em pontinhos, em memória doce. É setembro, e a safra do morango no Brasil promete mais uma vez aquecer cidades, refrescar agricultores (a maior parte em propriedades familiares) e atrair olhares e paladares para uma fruta que ganhou o gosto nacional.

O Paraná é o quinto estado produtor, atrás de Minas Gerias, Rio Grande do Sul, São Paulo e Espírito Santo. No País, 4.300 hectares são destinados ao cultivo da fruta que geram 160 mil toneladas de morango. Com uma produtividade de 35 toneladas por hectare a rentabilidade do produto é de R$ 180 mil (bruto) por hectare.

Em Curitiba, os vendedores da fruta já anunciam o início da safra com a oferta de várias caixas de de morango nos cruzamentos mais movimentados da cidade. No centro, as barracas dos vendedores de frutas estão tomadas pelas caixas de morango, vendidas, em média, por R$ 4 a caixa.

Entre as formas de celebrar a safra, as principais cidades produtoras do país realizam concorridas festas do morango que vão além de bandejas de fruta, sucos, sorvetes ou qualquer outro alimento. Nesses eventos, comemora-se a força de uma cultura que ajuda a mover a agroindústria brasileira, as novidades tecnológicas, o alavancar dos equipamentos, as inovações científicas e a saúde de quem vive deste sabor.

Mesmo com a crise econômica e variações climáticas, nas lavouras no sul de Minas Gerais, na tradicional região de Atibaia (SP), no Sul do país ou no Planalto Central de Brazlândia (DF), a 50 quilômetros de Brasília, cada amanhecer no campo é desenhado por trabalhadores em diferentes fases do cultivo.

A raiz e o fruto

Um dos eventos mais tradicionais de setembro que celebram a colheita do morango ocorre na região administrativa do Distrito Federal, com a participação de 250 agricultores até o dia 10 de setembro. O paulista João Fukushi, hoje aos 65 anos, aprendeu com o pai japonês os segredos da plantação. O cheiro do morango faz parte da história de vida de toda a família, que decidiu se aventurar no Centro-Oeste a produzir a fruta.

“Se não fui o primeiro, posso dizer que fui um dos pioneiros por aqui”. O “aqui” de Fukushi é Brazlândia, cidade a 1.300 metros de altitude, com clima ameno e terra muito mais “em conta” do que em São Paulo. “Com o preço de um hectare em São Paulo ou Minas, consegui comprar 29 hectares por aqui”, recorda. O eldorado ganhou endereço naquele 1974 para o rapaz desbravador, de 23 anos. “Gostei daqui. No ano seguinte, tripliquei a produção”.

Foi assim que o vilarejo foi se transformando. Tanto deu certo que o lugar, quatro décadas depois, já era uma cidade de mais de 50 mil habitantes por causa da agricultura. A “cidade do morango” é também da couve-flor, da cenoura e das flores. Fukushi apostou nos morangos e nas flores.

O caule e a flor

O engenheiro agrônomo Rodrigo Teixeira, gerente do escritório da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater), explica que cresceu ano a ano a participação do morango na cultura da região. “Temos aqui cerca de 230 produtores que chegaram em uma época de imigração na década 1970 (…) Aqui se alcançou um nível tecnológico bastante alto”.

Ele detalha que o morango impacta de diversas formas o cenário econômico e o social do local onde a produção se desenvolve. “O PIB do morango é de cerca de R$ 30 milhões”. Mas o dinheiro não é o único ganho. Teixeira ressalta que a ideia de se ter uma “cidade do morango” impulsiona turismo, responsabilidade ambiental e cadeias produtivas. Ele exemplifica que a produção da cenoura na região também é substancial, mas o “morango atrai mais”. Por isso, os especialistas entendem que há potencial de crescimento para a região, mesmo com as dificuldades econômicas, variações climáticas e limitação do uso de água.

Outro importante produtor de morango que está em festa é Atibaia, a 69 quilômetros de São Paulo. São cultivados na cidade cerca de 3,5 milhões de pés da fruta por temporada. Entre as qualidades enumeradas pelos produtores está a “a alta qualidade do solo” e a expansão do Selo PIMO (Produção Integrada de Morangos). A produção integrada em Atibaia foi articulada pela pesquisa da Embrapa Meio Ambiente. O objetivo é difundir tecnologias de boas práticas agrícolas e possibilitar maior geração de empregos no campo com a fixação do homem nessas cidades.

Em Bom Repouso (MG), um dos principais casos de sucesso do país, há 3 mil produtores – também com predominância de agricultura familiar -, que ocupam uma área plantada de 300 mil hectares. A produção anual é de 20 milhões de caixas, segundo a Embrapa, com aproximadamente 120 mil toneladas destinadas principalmente para o mercado interno.

Os impactos nas cidades produtoras são visíveis por todos os lados. Do campo para o comércio local, na movimentação dos negócios, nos incentivos ao turismo e aos empreendimentos imobiliários. Em Brazlândia ou em Bom Repouso.

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