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Ação contra corrupção na saúde prende secretários, um vereador e apreende cerca de R$ 170 mil

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Safismi

Nove suspeitos foram presos na manhã desta segunda-feira (18) durante a deflagração da Operação Hígia, da Polícia Civil de Pato Branco, no sudoeste do Paraná, contra corrupção na área da saúde.

Entre os presos estão o vereador Marco Pozza (PSD), o secretário de Administração e Finanças Vanderlei Crestani e o ex-secretário de Saúde Valmir Chiochetta que atualmente estava à frente da secretaria de Saúde de Clevelândia, também no Paraná.

Ao todo, foram cumpridos 67 mandados judiciais em Clevelândia, Saudade do Iguaçu, Francisco Beltrão, Curitiba e Joinville (SC). Além das prisões, foram apreendidos ainda R$ 160 mil e US$ 2,2 mil, totalizando o equivalente a R$ 167 mil.

O que foi apreendido na operação:

19 armas de fogo, entre elas um fuzil calibre 7,62, de uso restrito
758 projéteis de calibres diversos
Milhares de documentos
Dezenas de computadores e mídias
R$ 160.299,00
US$ 2.231,00

De acordo com a polícia, os alvos da ação são investigados por crimes como associação criminosa, fraude em licitações, peculato, concussão, corrupção ativa e passiva, falsidade documental e lavagem de dinheiro.

O delegado Niomar Manfrin disse que o principal crime era o de fraudes em licitações em secretarias municipais de Pato Branco. Os detalhes, porém, não foram revelados, porque a investigação corre em segredo de Justiça. Centenas de documentos foram apreendidos e serão analisados.

“Acabou comprovando fraude em licitações para aquisição de medicamentos e material médico hospitalar com a participação de empresas aqui de Pato Branco, de Francisco Beltrão, Curitiba e Joinville, no estado de Santa Catarina”, comentou.

Também foram detidos nesta operação um servidor público municipal, uma servidora pública estadual e três empresários. Como consequência da operação, foram afastados preventivamente das funções três servidores públicos municipais e um secretário municipal de Pato Branco.

Dezenove pessoas foram conduzidas coercitivamente – quando se é obrigado a prestar depoimento.

Na casa de um dos suspeitos, os policiais apreenderam 19 armas de fogo, entre elas um fuzil de uso restrito e 758 cartuchos de munição de diversos calibres.

Nas buscas, foram recolhidos documentos, computadores, materiais elétricos e equipamentos.

Outro lado

O advogado Heber Sutili, que defende o vereador Marco Pozza, disse que ainda não teve acesso a todo o conteúdo do inquérito policial e por isso não soube explicar o motivo da prisão temporária por cinco dias e das buscas feitas na casa e no gabinete do parlamentar.

“Estamos colaborando com a polícia e o primeiro passo agora é saber quais são as acusações contra ele e em seguida entrar com um pedido de habeas corpus”, comentou.

Em nota, a assessoria de imprensa informou que a Prefeitura de Clevelândia recebeu com surpresa os mandados de busca e apreensão e de prisão temporária contra o secretário de Saúde.

O documento informa ainda que, apesar de os fatos investigados terem sido supostamente praticados antes da nomeação para o cargo que atualmente ocupa na administração de Clevelândia, a administração municipal decidiu pela exoneração de Valmir Chiochetta em respeito à “lisura, respeito e transparência”, o que, acredita, deve contribuir com as investigações.

O advogado de Vanderlei Crestani afirmou que não existe prova contra o cliente dele e que tomara as medidas cabíveis para colocá-lo em liberdade.

A defesa de Chiochetta disse que ainda não teve acesso ao processo e, por enquanto, não vai se manifestar a respeito.
O nome da operação é uma referência à mitologia grega. “Hígia é a deusa da saúde, limpeza e sanidade, relacionando-se à Secretaria de Saúde do Município de Pato Branco onde a investigação teve início”, explicou a Polícia Civil.

Investigação paralela

De acordo com a Polícia Civil, Pozza é investigado paralelamente por suposta prática de crimes de corrupção ativa e passiva, falsidade documental e falso testemunho.

Em meio às investigações, a polícia diz ter encontrado indícios de que o vereador, aliado a um policial licenciado de Santa Catarina e um motorista, pagaram R$ 15 mil em propina a policiais rodoviários estaduais que atenderam a um acidente em julho.

Na batida, na área rural de Bom Sucesso do Sul, um motociclista morreu. Segundo a polícia, supostamente alcoolizado, o condutor do veículo fugiu do local sem prestar socorro.

Também conforme a Polícia Civil, os policiais receberam o dinheiro para adulterar o boletim de ocorrência, inserir declarações falsas de uma testemunha e para realizar o teste do bafômetro somente cerca de dez horas após o almoço, quando o motorista consumiu bebida alcoólica.

G1

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