Taxista de Porto Alegre comemora 95 anos com festa no ponto

São décadas circulando pelas ruas de Porto Alegre, sem uma única reclamação ou multa. O taxista Juvenal Silveira da Cunha chegou aos 95 anos, comemorados com uma festa no ponto da Rodoviária de Porto Alegre, onde trabalha desde 1982, segundo a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). No dia da final da Libertadores com o Grêmio, seu time de coração, os colegas prepararam uma festa temática para homenagear Juvenal.

Ele começou a trabalhar nos anos 1960. “Na época eu calculei que era uma reserva para arrumar um dinheiro a mais, o salário era pouco”, comenta ele, que trabalhava como metalúrgico. O que era para ser um extra dura até hoje, e sem planos de parar.

“Vou continuar trabalhando para me distrair, porque não gosto de estar parado. Gosto de mexer o corpo”, comenta. Natural de Nova Santa Rita, na Região Metropolitana de Porto Alegre, viúvo, pai de duas filhas e avô de cinco netos, Juvenal garante que não planeja parar enquanto puder renovar a licença para dirigir.

O motorista experiente tem todas as ruas de Porto Alegre, e até algumas de Canoas, na ponta da língua. Felipe, um dos cinco netos, explica que, mesmo quando não lembra de imediato, é só comentar algum local próximo que Juvenal vai saber de qual rua está falando.

Seu Juvenal testemunhou a passagem do tempo refletida nas ruas da cidade. O trânsito não era caótico como hoje, e muitas ruas sequer tinham asfalto ou calçamento. “Quando víamos um camarada com a roda suja de terra, sabíamos que ele tinha ‘viajado'”, relembra o taxista. ‘Viajar’ significa se afastar do Centro da cidade, ir a áreas onde as ruas eram mais precárias, como ele explica.

O taxista lembra de quando uma das principais avenidas do Centro, a Borges de Medeiros, ia da Região Central até o Viaduto Otávio Rocha. “Para lá, era tudo rio”, descreve. A Travessa Mário Cinco Paus, nos fundos da sede da prefeitura, entre a Borges e a rua Uruguai, Juvenal conheceu como propriedade particular de um advogado.

As atribuições da profissão também eram um pouco diferentes. Juvenal conta que levou muitos noivos até a igreja para o casamento, e famílias, para o batizado. E, segundo o taxista, transportar cadáveres em seus caixões também não era incomum. “Uma vez levei uma mulher [morta] até Butiá”, conta ele.
Sem reclamações desde 1978

Em sua ficha funcional na EPTC, não consta nenhuma reclamação dos passageiros sobre sua conduta desde 1978, ano do início oficial de sua profissão de taxista na capital gaúcha, proprietário do táxi prefixo 4284. Já nessa época, Juvenal já era experiente: dirigia táxi desde 1960, com ponto na Avenida Presidente Roosevelt, Zona Norte.

Como fazer para oferecer um atendimento exemplar? Juvenal explica. “É muito simples. Não me atrito, não discuto com ninguém. E não sou multado, porque obedeço às leis de trânsito. E garanto que não pretendo me aposentar tão cedo, se Deus quiser.”

Fonte: G1

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