Soja: Próximas chuvas não recuperam perdas na safra do Brasil

A nova safra de soja do Brasil continua sofrendo com as condições de clima em diversas áreas produtoras do país em função das adversidades climáticas. As elevadas temperaturas e a falta de chuvas continuam a castigar as lavouras e diminuir seu potencial produtivo a cada dia em que o cenário se mantém dessa forma. E onde as chuvas chegaram, foram limitadas e insuficientes para promover uma mudança significativa.

Além disso, há uma grande parte da área semeada com soja no Brasil em que as perdas já são irreversíveis. E assim, consultorias privadas já começam a reduzir suas estimativas para a temporada 2018/19.

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E de acordo com as últimas previsões, o Matopiba e o Sul do Brasil deverão ter um novo período de tempo seco entre o final de dezembro e o início de janeiro, após algumas chuvas que chegaram a estas regiões nos últimos dias. De acordo com o mapa do centro de previsão da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês), entre os dias 27 de dezembro e 04 de janeiro, menos chuvas acumuladas serão registradas na maior parte da região Sul do país.

Nesse mesmo intervalo, de acordo com o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), os maiores volumes de chuvas deverão se concentrar na faixa Centro-Norte do Brasil.

“O Centro-Norte do país vai se manter instável. Eu acredito que a Zona de Convergência do Atlântico Sul deve se formar e voltar a atuar e, com isso, essa chuva deverá ser estendida”, disse o meteorologista do Inmet, Mamedes Luiz Melo.

De acordo com o analista de mercado Marcos Araújo, da Agrinvest Commodities, o novo número para a safra brasileira é de 113,18 milhões de toneladas, sendo 50,63 milhões no Centro-Oeste; 36,59 milhões no Sul; 9,07 milhões no Sudeste; 10,73 milhões no Nordeste e 6,16 millhões de toneladas na região Norte.

Até este momento, Araújo estima que as perdas mais severas tenham acontecido no Paraná, com 14%, Mato Grosso do Sul, com 13%, Rio Grande do Sul, com 7% e Mato Grosso com 5%.

“Há várias microrregiões com perdas irreversíveis. Houve a maturação fisiológica forçada, com grãos pequenos e esverdeados”, diz o analista.

Há uma semana, o Notícias Agrícolas trouxe relatos de produtores de várias regiões onde as colheitas já vinham sendo adiantadas de 20 a 30 dias por conta do tempo extremamente quente e seco, na tentativa de perder ainda mais deixando suas lavouras no campo.

Os relatos chegam de todas as partes. Há áreas sendo colhidas em Toledo, no Paraná, em que a produtividade chega a apenas 40 sacas por hectare, número bem baixo para as médias da região. Ao mesmo tempo, no Sul do Maranhão não chove há mais de 20 dias e o potencial vai sendo diariamente reduzido.

Como explicou o José Carlos Oliveira de Paula, presidente da Aprosoja MA e do Sindibalsas (Sindicato dos Produtores Rurais de Balsas), as lavouras que mais sentem são aquelas que estão em fase de enchimento de grãos ou na formação dos canivetes. “Nessas áreas as plantas já estão abortando os canivetinhos”, diz Oliveira.

Há ainda, no sul do estado, cerca de 15% da área que foi semeada um pouco mais tarde e onde os prejuízos são ligeiramente menos agressivos. “Não há mais o que o produtor fazer, ele está só esperando a chuva chegar. As temperaturas têm variado de 34ºC a 38ºC”, diz o presidente da Aprosoja.

E como explicam analistas e consultores, a safra brasileira só não será menor porque o aumento de área foi considerável nesta nova temporada. Há números mostrando até 36,6 milhões de hectares, um aumento de 4,13% em relação à safra 2017/18. Ainda segundo cálculos de Marcos Araújo, com uma quebra de:

1% – Brasil colhe 118,87 milhões t;
3% – Brasil colhe 116,46 milhões t;
5% – Brasil colhe 114,06 milhões t

“Me parece que temos uma quebra já consolidada de pelo menos 5%”, diz o analista. Ainda segundo explica o executivo, parte dessas perdas acabam refletindo a antecipação do plantio observada neste ano. “Muitos produtores, na expectativa de fazer o plantio do milho safrinha no cedo, colocam em risco antecipado o plantio da soja. As próximas chuvas vão ajudar as lavouras que foram plantadas dentro da época normal, com ciclo médio e tardio.Essas podem se recuperar”, completa.

Fonte: Notícias Agrícolas