Defesa coloca França na final: solidez, craques anulados e gols decisivos

Para cada disparada de Mbappé, tem uma recuperação de Kanté; para cada movimentação de Griezmann, tem um corte de Varane, uma cobertura de Umtiti, uma presença de Lloris. A França chama a atenção pelo talento de seus jogadores ofensivos, mas é na defesa que marcha um batalhão sólido o suficiente para colocá-la na final da Copa do Mundo.

Um somatório de conquistas mostra a importância do sistema defensivo francês na campanha que pode resultar em título no domingo, quando a equipe de Didier Deschamps faz a final com a Croácia, em Moscou.

Em quatro dois seis jogos na Copa, a França não tomou gols – contra Peru, Dinamarca, Uruguai e Bélgica.

Três gols de defensores, marcados nas fases eliminatórias, foram fundamentais para o time chegar à final: o lateral-direito Pavard contra a Argentina, o zagueiro Varane diante do Uruguai, o zagueiro Umtiti frente à Bélgica.

Alguns dos principais astros da Copa do Mundo sucumbiram à marcação francesa: Messi (Argentina), Suárez (Uruguai), Hazard e De Bruyne (Bélgica), Guerrero (Peru), Eriksen (Dinamarca).

A França só mostrou buracos contra a Argentina, na vitória por 4 a 3 – permitindo liberdade a Di María para chutar de longe e espaço para Mercado aproveitar passe de Messi. De resto, foi um time muito bem estabelecido atrás, capaz de amordaçar o Uruguai nas quartas de final e de só permitir três chutes da Bélgica, melhor ataque da Copa, no gol defendido por Lloris.

Não por acaso, dos quatro semifinalistas, foi o goleiro francês quem precisou fazer menos defesas na Copa do Mundo – apenas 11. É metade da exigência que teve Courtois, da Bélgica. A bola pouco chega até ele – e, quando chega, ele costuma agir bem, como a ótima defesa em cabeceio de Cáceres, do Uruguai, nas quartas de final.

A estrutura defensiva francesa se baseia na solidariedade. Os três meias ajudam na marcação: Matuidi, Pogba e, acima de tudo, Kanté, um dos melhores jogadores da França na Copa do Mundo. E a eles juntam-se até figuras como Kylian Mbappé e Antoine Griezmann, atacantes de contribuição defensiva constante.

Fazer Mbappé marcar foi uma vitória de Deschamps e ajuda a formar um clichê que explica o sucesso dos Bleus na Copa do Mundo: o coletivo acima do individual. O mesmo vale para Pogba, mais discreto neste Mundial justamente por ter um papel defensivo mais ativo.

– Faço meu papel no campo. No momento, não é marcar gols ou dar passes decisivos. Hoje, faço isso e não sou criticado. É algo positivo. Mesmo Grizou (Griezmann) foi criticado por não fazer gols, e veja o quanto ele defende… – diz Pogba.

Também há respostas técnicas ofensivas. O destino da seleção na Copa do Mundo teve participação direta dos defensores em gols decisivos. Pavard marcou um golaço contra a Argentina quando a França perdia por 2 a 1; Varane abriu o placar contra o Uruguai; Umtiti garantiu a vitória sobre a Bélgica.

– Temos progredido rapidamente na defesa, mesmo tendo juventude. Mas também temos maturidade. Mostramos presença, mostramos nosso valor. Rapha (Varane) e eu não jogamos tantas partidas juntos, mas nos entendemos. Sabemos o que fazer para se dar bem. Ben (Pavard) e Lucas (Hernandez) são jovens, mas parece que estão há muito tempo conosco – comenta o zagueiro Umtiti.

É curioso como o sistema defensivo é formado por jogadores que são rivais em seus clubes. Varane joga no Real Madrid, Umtiti no Barcelona e o lateral-esquerdo Lucas Hernandez no Atlético de Madrid; Lloris atua no Tottenham, Kanté no Chelsea, Pogba no Manchester United. E, juntos, eles têm conseguido anular grandes astros internacionais.

– Quando jogamos uma Copa do Mundo, pegamos as melhores equipes, e consequentemente os melhores jogadores. No último jogo, serão também grandes jogadores. Vamos nos preparar para enfrentar Modric, Mandzukic, Rakitic, que conheço muito bem. Vamos fazer o melhor – comentou Umtiti.

França e Croácia se enfrentam neste domingo, às 12h, em Moscou, para decidir o campeão mundial de 2018.

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